Education in virtual/real worlds

my second life and the first one

Edifícios em SL vs prospectiva educativa ou imagem de marca?

A propósito do post efectuado pelo PalUP Ling em que a questão “Como deve ser um Campus em Second Life?” é levantada e, depois de ter deixado lá o meu comentário, tenho vindo a reflectir sobre o assunto.

Vou permitir-me fazer uma duplicação, neste post, do comentário efectuado, mas salientando que, para perceberem o seu contexto, deverão ler o post do PalUP, assim como os restantes comentários efectuados por outros. Na sequência, seguirei o meu raciocínio sobre os edíficios em SL e sua relação com os objectivos que estes parecem querer privilegiar.

O meu comentário ao post do PalUP foi este:

<< Esta questão é uma agulha de dois bicos.

Já visitei muitos campus universitários em SL (passei por quase todas as universidades americanas em SL, MIT incluído). A maioria apresenta réplicas dos seus edíficios reais.

Nas visitas efectuadas, não pude deixar de fazer um “about land” e apreciar o tráfego. A maioria das instituições por onde passei tinha um tráfego baixíssimo, nunca superior a 10 e, em alguns casos, tráfego zero (a minha presença deve ter feito dispará-lo para 1)! Perguntei-me, na altura, para que querem isto aqui? Para que serve isto? O que farão aqui?

Posteriormente, tive oportunidade de encontrar uma professora de uma das instituições que visitara (altamente conceituada) e perguntei-lhe se ela utilizava o espaço para dar aulas ali. A resposta foi imediata, qualquer coisa do tipo (não recordo as palavras exactas): “Aqui não! Isto é para visitar e todos poderem ver os nossos projectos. Eu dou aulas onde quero, depende… geralmente prefiro os jardins!”

Parece haver, de facto, uma necessidade de mimetização com vista a uma marca e presença institucionais, promocionais, etc, tal como descreves, PalUP.

No âmbito da educação, este assunto torna-se delicado na medida em que faz uma tangente com a questão da replicação de aulas da RL para SL – um edíficio com salas iguais às da vida real só poderá estar destinado à leccionação de aulas na mesma linha, numa promoção de “mais do mesmo” agora em formato digital (uau)! Lá se perde toda a riqueza e potencialidades que SL nos oferece e se recusa o desafio à criatividade e originalidade que esta incentiva.

Por outro lado, se as pessoas ao entrarem não reconhecerem nada… podem sentir-se perdidas e sofrer de “choque” cognitivo, ou desequilíbrio, como tu dizes (apesar desta questão poder ser deambulada por uma sólida formação inicial em RL sobre SL, aspecto que me preocupa sobremaneira).

E chego à agulha de dois bicos: o pôr-do-sol em SL não teria beleza nenhuma senão tivessemos o referente dos belos pores-de-sol que a RL nos oferece; o som das ondas a rebentar em SL, não teria significado se não o conhecessemos da RL; as árvores a abanar ao vento não passariam de objectos irrequietos se nunca tivessemos passado por um dia ventoso em RL…. etc,…etc….

Há sempre um referente da RL que dá sentido às nossas vivências em SL…. mas fará sentido reproduzir em SL todas as referências da RL?

Não sei como deve ser “desenhado” um campus universitário. Não tenho resposta, nem sei se alguém terá. Sei que por detrás de qualquer “desenho”: i) existirão objectivos (que poderão ir desde questões de marketing ao desejo genuíno de inovar); ii) demarcam-se posições epistemológicas face às actividades educativas que se pretendem levar a cabo; e iii) identifica-se a visão prospectiva das potencialidades educativas da SL subjacente. >>

 

 

Após este comentário, fiz novas buscas, visitei os mesmos e novos lugares académicos in-world, consultei vários blogues de índole educativa e cheguei a um vídeo que desejo partilhar convosco. Esse vídeo salienta as potencialidades educativas de SL para o ensino das Ciências. Poderão verificar que o menos importante ali é o que respeita aos edíficios. O que importa são as ideias e a interactividade criada com a pessoa, tendo em vista confrontá-la com algo de inovador e promotor de uma dada aprendizagem. A imagem de marca aparece através de cartazes discretos ou do nome da instituição, mas não pelo edíficio! Aqui fica a ligação para o referido vídeo.

Outras situações e áreas do conhecimento há em que os edíficios mimetizantes da realidade são fundamentais. É o caso da Capela Sistina, ou a reprodução de obras de arte, onde o utilizador pode introduzir-se e apreciar com outros olhos e sentidos as pinturas. Esta replicação tem implícita a optimização das potencialidades educativas da SL. Neste caso, é mesmo preciso mimetizar a RL ao bit.

Em conclusão, a questão dos edíficios parece estar dependente da prospectiva educativa que se detém da SL e do peso relativo atribuído às preocupações de marketing/imagem, etc….

O que têm a dizer sobre isto?

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December 6, 2007 - Posted by | Second Life®, SL®Classes, SL®Education | , , , ,

2 Comments »

  1. Obrigado por partilhares o clip que tomei a liberdade de publicar hoje no meu blog 😉
    (a Genome Island sempre foi a minha favorita…)
    É muito interessante a constatação de como diversos grupos se apropriam e representam o espaço em SL, em contexto educativo.
    No meu blog propus a visita ao Concurso na ilha da U.Porto, onde podem verificar que, entre os 20 grupos, as a bordagens são muito distintas, mesmo num universo muito homogéneo de concorrentes!
    A minha sensação é que todos estes constributos vão ajudando a escrever a história de um ‘ciberespaço’ novo, e isso é fascinante.

    Comment by PalUP Ling | December 6, 2007

  2. Não tenhas dúvidas, PalUP!
    Estes (esses) contributos, as nossas reflexões (incluíndo todos os comentadores) e tudo o que vai acontecendo em torno, tanto em SL, como em RL, relacionado com o assunto…. “vão ajudando a escrever a história de um ‘ciberespaço’ novo”.

    Estamos TODOS a fazer história!

    Quanto ao trabalho que os grupos de alunos estão a fazer para o concurso na ilha da U.Porto…já fiz o meu post, congratulando-os a todos! 🙂

    Comment by Cleo Bekkers | December 7, 2007


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